sábado, 3 de julho de 2010

EU QUERO FALAR

Tecendo uma breve crítica quanto a minha falta de auto-conhecimento, demorei 18 anos para descobrir que a exteriorização do que sinto não é um capricho, mas uma necessidade. A vida toda publicando manchetes em letras garrafais a respeito da minha sede, da minha alegria, do meu sono, do meu ódio, da minha saudade, do meu amor, da minha indignação, ingenuamente acreditando que o fazia por entreterimento. Como se a necessidade fosse do planeta em saber o que se passa aqui dentro para continuar em sua órbita perfeita. Não é.
O hábito quase doentio de derramar tudo para fora acabou com o espaço que nos é reservado à princípio para guardar o que é apenas nosso. O desuso o fez pequeno demais para acomodar qualquer emoção.
Bulimia. Vomite tudo e seu estômago desaparecerá, tornando impossível a digestão de todo e qualquer alimento. É por aí. Não cabe mais, você cresceu em mim de forma exacerbada e se antes era apenas uma casa-coração, hoje já me afeta o estômago e torna cada dia mais indigerível meu silêncio.
Eu quero falar, eu preciso falar, preciso ter a certeza acima da certeza que já tenho de que você sabe o que se passa por aqui, de que não vai esquecer jamais, preciso frizar, enfatizar, exaltar, a possibilidade de mudança por mais que essa requira coragem para ser enfrentada.
Coragem para reconhecer que teu barco tá furado e o melhor que tens a fazer é pular e nadar junto comigo, há um oceano todo a ser descoberto, mares nunca antes navegados e a minha garantia de que será lindo.
Que Deus, Nossa Senhora, e quem atende por um nome de anjo, reconheçam minha agonia em deixar-me calar pelo proibido, e não tardem em me devolver a paz.

AMÉM.

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