"BASTA" - devo reconhecer que essa palavra tão fofinha, tão pequenina, tão sonora, não existe no meu vocabulário. É uma pena.
Existe besta, existe bosta, mas basta...não, basta eu nunca usei. Sinto que é a hora, uma vez que a total falta de limites já não me é tão saudável quanto nos tempos da brilhantina. O copo que transborda já não rende mais poesia nem prosa, só me traz cabelos brancos.
Mas por que caralho eu não consigo simplesmente viver o recomendado na época, sei lá, sair, beber, dançar, fumar, beijar, trepar, trabalhar, dormir, esquecer? Por que essa insistência inútil em procurar sentido, sair por aí farejando descontroladamente ruas e postes na esperança de encontrar o que não se sabe se existe? Não há vias possíveis de compreensão para essa sede quase patológica, essa inquietação, esse bichinho que mora entre o estômago e a faringe, que faz cócegas tentando sair e nauseia quando é impedido.
E nunca dorme.
Não há descanso.
Não há descaso.
"Abraça tua loucura, antes que seja tarde demais"
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