Holla pequeños, to no pc depois de mais um dia de batalha, reunindo forças para conseguir relatar um fim de semana que não merece ser atirado no baú do esquecimento.
Por mais que meu vocabulário fuleiro não seja o suficiente para descreve-lo, é suficiente para remeter-me à lembrança, e remete-los a inveja. Foi incrível, com todos os excessos do termo.
Sábado levantei com o sol, me arrumei e fui para mais-um-dia de trampo que com certeza não tinha nada para ser mais-um-dia.
E não foi.
Ao contrário dos outros sábados zumbizando no CNA, nesse o tempo voou, é impressionante como a vibe que se levanta da cama pode transformar a obrigação em prazer, ou o contrário. 13h saí de lá, voltei pra casa, comi, juntei meus trapos, esperei a Nathy e caímos no mundão, com todas as delícias que isso envolve. Pegamos o bus na rodoviária (jura?) rumo a capital do nosso estado, num estado quase incontrolável de ansiedade para ver o que o futuro próximo nos reservava. Peço licença para um parêntese: Eu e ela já nos desencontramos algumas vezes, mas é nos encontros como esse que se inicia nessa parte do relato e se estende até o final graças a deus, que temos a certeza que dos cacos de um prato quebrado pode-se fazer um vaso mais bonito, onde o que se planta floresce sem grandes dificuldades. Eu e ela há pouco formamos um vaso. E florescemos.
Continuemos, chegamos em São Paulo e como nem tudo são flores do vaso, tivemos de suportar boa dose do meu tio insuportável (quem não tem um?) e das filosofias intermináveis do meu pai. Voltemos as flores. Por volta das 22h seguimos para o Santo Pako, um snooker bar em Moema, atrás do shopping Ibirapuera, para um aniversário cuja aniversariante eu não conhecia pessoalmente, apenas por cartas. Foi um encontro quase faustão, quase gugu, aliás eu deveria ter chamado a imprensa para cobrir. A Marina é de carne, osso e coração. O encontro não rendeu muitas palavras, pois essas foram totalmente dispensáveis. Sorrisos, abraços, e fotos.

Gosto de São Paulo porque este lugar acolhe todo e qualquer tipo de gente. Sou santista de coração mas tenho que dar o braço a torcer que cidades provincianas tem uma certa tendência à 'panelas', e as pessoas acabam por se tornar iguais umas as outras por uma questão de aceitação social. Em Santos vivem os santistas. Em São Paulo vivem os góticos, os hippies, os indies, os boiolas, os transformistas, os tradicionais. Fui pro aniversário da Marina de mochila sem grandes recriminações. Sei que não é tendência, não tá na moda, mas horas fora de casa me aguardavam, e como duas mochileiras a menos de 100km de casa, eu e Nathalia seguimos por volta da uma e meia da manhã, com algumas amizades que fizemos no caminho, rumo ao centro de São Paulo, onde estavam unidas todas as tribos que minha cultura conhecia, e desconhecia nessa vida. Fomos pegar ônibus na Av. Ibirapuera , descobri que em São Paulo ainda existem cobradores, e os motoristas de lá por sinal são muito malcriados, não são nem incubidos de cobrar e ao mesmo tempo dirigir como aqui, e ainda assim não esperam os passageiros subirem e descerem do ônibus no ponto. Quase perdemos um amigo desse jeito.
Pegamos um daqueles ônibus sanfonados que sacodem diariamente pelas avenidas da metrópole, e naturalmente optamos por ficar na parte de dentro da sanfona. O chão dessa parte do bus gira conforme ele faz curva, a sensação é incrível, ainda mais após algumas brejas, eu recomendo.
Descemos onde a maioria das pessoas que estavam no ônibus desceu, pressupondo que estavam todos como nós, em busca da terra do nunca, e embora estivessemos certos quanto ao ponto de ônibus que desovamos, seguimos algumas falsas orientações que nos renderam alguns quilômetros a mais de caminhada.
Foi por volta das duas e meia da manhã que olhamos ao redor e lá estava a Catedral da Sé toda iluminada, o efeito que deu a projeção de imagens na faxada da igreja estava demais, Deus arrasou na contratação do decorador de sua casa. E em torno de, tudo se contextualizava, a música, os palcos montados no meio da rua, as pessoas, as luzes, as cores.

Terminada a busca pela virada cultural, iniciamos a busca pelo meu querido amigo Farofa. Andamos demais e no caminho vimos de tudo: bêbados, gente fantasiada, free hugs, bêbados, punks, góticos, bêbados, gays, lésbicas, simpatizantes e bêbados. Depois de mais algumas falsas informações que renderam falsos caminhos e retornos, depois de muita luta, sangue, suor e álcool o encontramos na São João com a Ipiranga (tentei não cantar ao escrever esse post, mas não resisti: aaalguma coisa acontece no meu coração...que só quando cruza a Ipiranga com a avenida São Joãããoo) Salvo momento Caetano, encontramos o Farofa graças a Deus e fomos em busca de combustível para o nosso corpo e alma.
- Moça, quanto tá o vinho?
- Cinco
- Tudo isso?
Dei os 5 reais esperando meu copo de vinho vagabundo, a moça me surpreendeu me dando a garrafa. Nessa hora eu pensei "TUDO ISSO?" novamente, dessa vez pelo bônus inesperado do vinho. Foi quando minha noite começou a ficar interessante.
Descemos pela XV de novembro (yeaah, SP também tem sua XV), eu, meus amigos e minha garrafa de cantina do vale, rumo a praça da Sé onde estava montada uma pista, música eletrônica, etc.
Quando chegamos a garrafa já tinha chego ao fim e minha bexiga também. Essa parte é meio chata, mas faço questão de deixar documentada minha ida ao banheiro químico. Não foi agradável, deixo minha dica ao Kassab pra ano que vem aderir o patrocínio gleid para a virada. Faz parte.
De bexiga vazia fomos fritar na pista, sentir um pouco a vibe, sacodir a cabeça, acender um cigarro. Porque na virada, todas as tribos subdividem-se entre babacas (puros) e doidões (quimicamente comprometidos). No nosso caso, babacas se fazendo de doidões. Infelizmente o corpo das pessoas responsáveis, por mais que sejam jovens, uma hora dessas começa a apresentar os primeiros sintomas de baixa resistência. Minha mochila já aparentava 40kg, minhas pernas de pós São Silvestre pediam arrego.
Toque de recolher.
Fomos para a república do Farofa.
Pegamos o metrô na estação da Sé e paramos em Tatuapé, onde eu tive que esquecer que tinha pé, para uma longa caminhada atrás da chave da república. Ou não tão longa assim. Bem, convenhamos que qualquer degrau é alto demais quando se completa 25h sem dormir, mas fomos recompensados. Antes de deitar, nos deliciamos com as coxinhas 'better than pussy' não vou dizer o porque do título, imaginem o que quiserem, esse post já está rico demais de detalhes.
Dormir na república foi muito bom, me senti na novela coração de estudante, só seria melhor se minha realidade fosse de estudante da USP (e tivesse o paulinho vilhena de brinde, pro meu coração de estudante). Aproveito o espaço para agradecer ao Farofa que dividiu seu teto conosco.
Dormimos das 7:30h às 10:30, o suficiente para repor a bateria necessária até o final da virada. Eu tinha esquecido o quanto era bom tomar café da manhã na padaria.
um na chapa.
dois na chapa.
três na chapa.
E seguimos renovados, de volta a terra do nunca.
De cara nos deparamos com restos. Restos de bebidas, restos de comida, resto de pessoas, restos de uma noite que por mim, não teria acabado. E não acabou. Estavamos ali justamente para tirar do pause o que tinhamos deixado pendurado na conta a pouco mais de três horas atrás.
PLAY. bom dia são paulo.

Logo de manhã passamos na frente de um show de índios no meio da avenida, o que não nos chamou muita atenção de cara, pois como adolescentes urbanos que somos, caminhavamos atrasados rumo ao show do CPM 22 que por sinal foi otimo, sempre bom resgatar as origens. No intervalo entre CPM e Raimundos fomos dar um role, e lá ainda estavam os índios, cantando a mesma música, com a mesma animação, dançando a mesma coreografia. Dessa vez paramos. O quadro era o seguinte: 3 índios compondo a "banda", com o corpo coberto de tinta, penas e miçangas, um índio bailarino arriscando um street dance e uma índia responsável pelo mershandising da tribo. Enquanto os 3 da banda faziam um playback de uma música com barulho de cachoeiras (que com certeza não vinha da Av São João), o 4º dançava freneticamente, e a índia, a quem dedico toda minha compaixão, andava de um lado para o outro sem parar, mostrando o cd da tribo para as pessoas que como nós, abismadas, se aproximavam do manifesto. E o fazia sorrindo.
Coadjuvantes a isso, não posso deixar de lado a participação fundamental para nossa alegria da manhã, de duas personalidades a parte: um coroa com uma bandana de oncinha sentado do lado do índio tocador de flauta, que durante todo o desempenho do "show", se dedicava a passar informações para alguém que só ele via. Não sei onde o espírito, exu, amigo imaginário, anjo da guarda estava tentando chegar, mas várias opções de rotas diferentes foram ali explicadas. Tomara que ele tenha se encontrado.
Ao outro extremo da cantoria da tribo, estava a segunda personalidade que se dedicava a inventar uma coreografia impossível passar despercebida e impossível colocar aqui, já que meu blog ainda não sabe dançar. Ainda.
Muito mais brasileiros agora, voltamos ao palco principal onde começava o show dos Raimundos, mas nossa empolgação não durou muito. Depois que o Raimundo chefe disse adeus, Raimundos nunca mais voltou a ser Raimundos.
Logo o foco perdeu-se do palco e voltou-se inteiramente para um casal que nos incentivou a beber menos. O cara trajava-se de forma peculiar, num jogo contemporâneo de uma bermuda no joelho e um chapéu de bruxa feito de saco de batata. Já a moça, que sozinha já não se mantinha em pé, se jogava nos braços do rapaz, fielmente agarrada a uma caixa de leite condensado vazia. O comportamento do casal nos roubou total atenção, com todo respeito Raimundos.

Quando se findou o show (do casal), sentamos no meio fio, e conversamos, viajamos, filosfamos e rimos, até a fome bater. Iniciamos a jornada em busca da tenda do melhor pastel de São Paulo. Chegando lá os orientais nos informaram que o pastel tinha acabado, mas já estava chegando. Claro que valia a pena esperar. Abraçados na larica, deitamos na grama que uma hora dessas caiu como um colchão castor king size. Olhando para o céu, conversamos a respeito de futuro pessoal e profissional (eu e o farofa, porque apesar de sermos uma compania agradável, a nathalia no momento estava com seu ipod, dedicada a tirar fotos da grama)
(apenas uma das do book)
Voltando, futuro profissional definitivamente não é o melhor assunto para desvirtuar a fome, então vimos a fila se formar na frente na tenda xingling. Corremos.
- Oi moça, o pastel chegou?
- Chegou sim, mas só tem de carne. Do que vocês vão querer?
- Acho que de carne. Três por favor.
Não foi feliz descobrir que o melhor pastel de carne de São Paulo media 5 cm², mas não havia espaço para reclamações. Duas mordidas, e pé na estrada.
Fomos até a Barão de Limeira onde estava montado o palco do Reggae, a banda era boa mas não ficamos muito tempo lá, voltando para a São João onde rolava o show do Arnaldo Antunes. Eu adoro, mas os melhores shows acabam sendo os piores da virada por conta da distância que fica o espaço conquistado para assisti-lo. Se bem que o lugar que estávamos não devia ser tão ruim, pois por lá encontramos personalidades como Harry Potter e um primo do Draco Malfoy.
Quando a barriga gritou, compramos um pote de batata frita (essa sim a melhor de São Paulo) e nos instalamos no meio fio. Peço perdão, desconfio que eu tenha adormecido por alguns minutos nessa parte, pois alguns momentos me falham a memória. Voltando à lembrança, enquanto esperávamos pelo show do titãs a tarde foi caindo e com ela uma coisinha meio ruim que apelidarei de pré-saudade foi dizendo olá, de mãos dadas com uma coisinha boa que dou o nome de Vale Uapena.
à parte do show do titãs assistimos vários shows que uma hora dessas passavam perto de nós, como uma roda de maconheiros que nos escolheu como ponto central, e um casal quarentão que não teve adolescência e resolveu deixar aflorar seus hormônios na virada cultural. Destaque para o fato que ambos estavam vendendo aqueles pisca-pisca de festa de 15 anos, o que os tornava mais perceptível do que qualquer coisa em volta.
Faltando uns 10 minutos para o fim do show, vazamos com medo do trânsito futuro no metrô, chegamos no jabaquara e as 19:25 pegamos um ônibus com destino a realidade (não consigo não ser dramática em despedidas). Ano que vem tem mais.
Agora estou vivendo a delícia da recuperação do rolê, a dor de garganta e a dificuldade de trabalhar de salto alto não me deixam esquecer de tudo que rolou entre sábado e domingo, algumas descritas aqui, outras não.
Beijos para os que se fizeram presentes o tempo todo,
Nathalia, Farofa, e índios.
as flores de plástico não morrem.