Devo admitir que meu espírito competitivo aguçado às vezes me prejudica.
Ontem eu e meus amigos rebeldes inventamos a estupidez de brincar de segurar fumaça do narguile e eu - a mais estúpida de todas - joguei por incansáveis horas, muito machona, sem abandonar o tatame.
Quando levantei fui praticamente direto para o chão, antes passando rapidamente na cozinha para solicitar a ajuda da minha amiga Nathalia - expert em primeiros socorros - que fofoletemente me socorreu com um 'tá tudo bem'. Não estava, e o galo da minha cabeça que cante pra confirmar. A queda não foi fatal porque minha altura não intimida ninguém, mas o suficiente para doer, ou ao menos me dar motivos para reclamar. Minha ex-atual-futura amiga Letícia foi de fundamental importância para minha sobrevivência, aproveitando o espaço para agradeçê-la e dizer que o risoto tá pendente para o dia que ela bem entender, e eu é claro, estarei de sobrancelhas feitas.
Hoje eu e meu galo fomos votar e passamos quase o resto do dia filosofando juntos, me dei conta do quanto estou insuportávelmente enjoativa com meus devaneios, essa pré-viagem tem me deixado mais indigerível do que sempre, eu só sei pensar no quanto eu amo as pessoas que compartilham comigo das madrugadas dos dias não úteis da semana, o quanto elas são de fundamental importância e enfim...não vamos falar de saudade.
Agora eu e meu galo estamos cheirosos e embonecados pois não é todo domingo que pode ser salvo de sua profunda nóia, eu acho incrível me arrumar vendo o Fausto na tv, quase não controlo a vontade e falo 'pode falar o quanto quiser seu gordo, pode atormentar com todos esses seus quadros-porcarias e entrevistas de bosta porque quando esse seu programinha lixo terminar minha noite vai apenas começar'.
Devo me despedir sem dó, uma vez que ninguém espera alguma coisa de um domingo a noite, exceto eu e meu galo.
Cocoricó, e um beijo pro Renan, meu mais novo leitor favorito.
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