quinta-feira, 17 de junho de 2010

tenho achado viver tão bonito...

Acordo com vontade de fazer tudo.
Trabalhar, ir pra academia, estudar, comer, dançar, ajudar os fracos e oprimidos, conquistar a América.
 Distribuo sorrisos à quem encontro na rua a troco de coisa alguma,
ajudo cegos à atravessarem avenidas,
dou moedas grandes aos mendigos,
comprimento meus inimigos e se estes ousarem me dar um tapa, cedo-lhes a outra face.
E canto.
Canto os versos mais bonitos até que minha agonia me interrompa e me roube toda a minha sede.
E nessa hora tudo se desfaz.
Desejo travisseiros.
Desejo a minha cama.
Desejo um buraco fundo que me sirva de abrigo e que eu fique ali, não mais alienada, sendo duramente ensinada que os caminhos são individuais e intransferíveis.
Que deve-se ter mais cuidado.
Que não deve-se arriscar passos largos no escuro.
Então adormeço como se o dia seguinte não existisse.
Mas ele existe, e quando chega me devolve as flores, o fogo, a música, a utopia.
Desperto lembrando dos seus dentes.
Gosto dos seus dentes como se fossem meus.
E recomeço.

Estranho, porém real.
Este lugar é perigoso, mas eu gosto de estar aqui.
Bem aqui.
Comendo.
Na palma da sua mão.


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