Acordaram os fantasmas adormecidos, e de repente me vi dançando em cima do que sobrou.
Cortei meu pé num caco, e só quando vi sangrar lembrei do que sou feita, e então percebi a ausência de música para a dança.
E a ausência de percepção do óbvio.
E a ausência do óbvio na cegueira.
Jogaram lama no meu jardim favorito
Rasgaram meu melhor álbum de fotos
Pixaram meu muro colorido e eu não tenho a quem reclamar.
Tenho nojo de cada verbo proferido (mesmo que em um passado distante mas nunca esquecido), e se um dia eu te dei o mundo de olhos fechados, hoje eu cuspiria na sua cara antes de dizer que eu preferia morrer dez vidas do que te encontrar denovo.
Quando despertei você já não me habitava há tempos, o que me poupou do trabalho de expulsa-lo, ou me mutilar se necessário fosse. A revolta me atiça, mas a indiferença me cala. A queima de arquivo fez de mim uma pessoa engasgada, porém liberta de toda sua sujeira.
Agora não importa mais, e se a minha história mais bonita foi desmentida, estar aqui é um dever de escrever outra melhor.
E ainda que tudo seja mentira, nada nesse mundo, nem mesmo você e minha torre desmoronada, me farão deixar de acreditar na colheita das sementes que planto.
Jamais.
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