E depois de muitos conselhos, é chegado o último dia do ano - inevitável um retrospecto.
Feliz, retrospecto.
Saudoso, retrospecto.
Posso afirmar com certeza que em 2010, como o prometido, fiz tudo o que tive vontade. E não foram poucas as pessoas que "sofreram" as consequências dessa promessa. Não somente apenas o comum em livros de auto-ajuda, e adesivos de parede como "ame, ria, chore, dance, pule, grite", dei ação a todos esses verbos e mais alguns.
Liguei pra quem não merecia.
Abusei das mensagens de celular.
Deixei bilhetes em portaria.
Me enganei.
Cortei meu cabelo e doei para as crianças com câncer.
Trabalhei. Tive meu dinheiro.
Tomei m porre. Ou dois. Ou mais.
Fumei.
Fiz outra tatuagem.
Cheguei de manhã.
Errei.
Briguei com grandes amigos por pouco.
Apostei corrida de taxi.
Peguei carona de bicicleta com um mendigo que eu não conhecia.
Conheci um mendigo.
Passei meu celular para um mendigo.
Segui alguém na rua.
Entrei no mar pelada.
Comecei a escrever um livro.
Desisti de escrever um livro.
Me declarei.
Me fodi.
Me dei bem.
Me importei com o que os outros pensavam.
Esqueci que os outros existiam.
Perdi a hora.
E ainda fiz todas aquelas coisas que nos mandam fazer no final do ano, como cantar no banheiro, dançar na chuva, escrever um poema, rir até chorar, viajar com os amigos, assistir comédias românticas, dormir até meio dia, comer porcaria, e mais, fazer as malas, mudar de país e deixar tudo pra trás.
É, eu fiz, e agora nesse último dia me corrói uma certa saudade e uma sensação e dever cumprido. E encerrado. Sentirei falta das coisas que fiz, mas não da pessoa que era, e agora já não sou mais, como no determinismo de "O Cortiço" de Aluísio de Azevedo, "o homem como produto do meio é a tese central do movimento. O indivíduo não passa de uma projeção do seu cenário, com o qual se confunde e do qual não consegue escapar. Daí a insistência na descrição do meio, que sempre traga e tritura o homem", e eu, tragada e triturada pelo meu novo cenário, com certeza já não sou mais a mesma que entrou no avião. Graças a Deus.
Recebo esse ano de peito aberto, fazendo a mesma promessa do ano passado, mas no aguardo de um ano totalmente diferente. Porque as vontades já não são as mesmas. Nem quem as executa.
2011 já bate na porta, e vai ter amor, vai ter sorte, vai ter paz. E se não tiver, a gente inventa.
oi ana.
ResponderExcluirna verdade a gente nem se conhece, conheço apenas teu blog. mas te digo de coração que desejo felicidades pra vc.
Fiquei super emocionada com seu post, e admiro a tua coragem, a tua força de vontade de querer vencer. Vc é uma guerreira, e como já dizia meu querido renato russo "nunca deixe que lhe digam que nao vale a pena acreditar no sonho que se tem.. " FELICIDADES E SUCESSO. E que em 2011 vc consiga cumprir tudo que desejas. bjs d.
"o nosso amor a gente inventa..."
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